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A disciplina do amor.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Foi na França, durante a segunda grande guerra. Um jovem tinha um cachorro que todos os dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, um pouco antes das seis da tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e, na maior alegria, acompanhava-o com seu passinho saltitante de volta a casa.
A vila inteira já conhecia o cachorro e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava a correr todo animado atrás dos mais íntimos para logo voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o momento em que seu dono apontava lá longe.
Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado. Pensa que o cachorro deixou de esperá-lo? Continuou a ir diariamente até a esquina, fixo o olhar ansioso naquele único ponto, a orelha em pé, atenta ao menor ruído que pudesse indicar a presença do dono bem-amado. Assim que anoitecia, ele voltava para casa e levava a sua vida normal de cachorro até chegar o dia seguinte. Então, disciplinadamente, como se tivesse um relógio preso à pata, voltava ao seu posto de espera.
O jovem morreu num bombardeio, mas no pequeno coração do cachorro não morreu a esperança. Quiseram prendê-lo, distraí-lo. Tudo em vão. Quando ia chegando aquela hora, ele disparava para o compromisso assumido, todos os dias. Todos os dias.
Com o passar dos anos (a memória dos homens!) as pessoas foram se esquecendo do jovem soldado que não voltou. Casou-se a noiva com um primo. Os familiares voltaram se para outros familiares. Os amigos, para outros amigos. Só o cachorro já velhíssimo (era jovem quando o jovem partiu) continuou a esperá-lo na sua esquina. As pessoas estranhavam, “mas quem esse cachorro está esperando?”... Uma tarde (era inverno) ele lá ficou, o focinho sempre voltado para “aquela” direção.
(TELLES, Lygia Fagundes. A disciplina do amor. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. p. 99-100)


DICA DE FILME:
Para todos que curtiram o texto da Lygia Fagundes Telles que trabalhamos em sala de aula segue a dica de um filme também muito emocionante.

Quem assistir por favor conte depois aqui no blog o que achou!

8 comentários:

Anônimo disse...

Já assisti o filme SEMPRE AO SEU LADO, o filme é perfeiro, eu chorei.... E recomendo....

Natália - 8ºB

vinicius o site que vai abalar vc disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
vinicius balbino disse...

legal, uma história muito interessante, mexe com nosso sentimento e falando a verdade todo mundo que entende o significado do filme chora...

Gabriel disse...

Muito bom o filme (:,emocionante !

Anônimo disse...

bom eu ñ digo q ñ presta e nem digo q ñ presta mais n recomedo

Olires disse...

eu tenho muita vontade de assistir esse filme...

Italo Huan disse...

Sempre ao seu lado

Um cachorro chamado Hachiko, um filhote da raça akita e encontrado perdido em uma estação de trem por Parker, ambos se identificam rapidamente. O filhote acaba conquistando todos na casa de Parker. Mas e com ele que acaba criando um profundo laço de lealdade.
Com Hachiko ja grande ia ao metro todos os dias e mesmas horas com Parker, todos os dias ele ia na mesma hora esperar seu dono sair do trem. Quando Parker morre, ele continua indo la todos os dias, na mesma hora e no mesmo lugar na estação. Passam 25 anos e ele ainda esta esperando-o no mesmo lugar na mesma hora todos os dias.
A mulher de Parker fica emocionada ao ver hachiko esperando la do mesmo jeito sempre.
Ate que hachiko, numa manha de inverno sonha com Parker brincando e correndo como era antes, depois ele morre.
No fim as pessoas constroem uma estátua de uma cachorro de hachiko, o cachorro que fez a amizade de um homen e um cachorro.
Akita uma raça do cachorro mais leal e companheiro.

Anônimo disse...

Após trabalhar o texto de Lygia Fagundes na minha sala de aula, vi aqui os comentários a respeito desse filme que eu não conhecia, imediatamente fui em busca do mesmo. E fiquei maravilhada...
Os comentários aqui deixados fazem jus ao filme...
Obrigada...Gostaria de receber mais dicas como esta.

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